segunda-feira, 20 de abril de 2015
Caminhar interiormente
Vimos a pedra vazia no interior da terra
A manhã. Nós não tocámos a luz
Inesperada. Pensámos
Que já o sono sendo eterno te afastara
E que farol que foste
Agora onda após onda, brasa extinta, naufragava
Nunca mais, pensámos, dormirias na proa
E quase desaprendêramos a guiar o barco
Em nossas viagens não amainaria mais, pensámos, e chegar a casa
Seria ver multiplicar-se
A nossa fome como o peixe e como o pão
Chegámos a terra porém e esperavas-nos
Os pés furados como conchas sobre a areia
E sentámo-nos em redor para comer
in Do inesgotável, Daniel Faria
quarta-feira, 16 de julho de 2014
O sagrado e o profano japonês
Templo de YAMADERA, Japão
Templo de YAMADERA, Japão
Templo de Hiroshaki
Kusama
Kusama, Louis Vuiton, NY
kUSAMA, NY
Templo de YAMADERA, Japão
Templo de Hiroshaki
Kusama
Kusama, Louis Vuiton, NY
kUSAMA, NY
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Adília Lopes, outra vez
Não gosto tanto de livros
Não gosto tanto
de livros
como Mallarmé
parece que gostava
eu não sou um livro
e quando me dizem
gosto muito dos seus livros
gostava de poder dizer
como o poeta Cesariny
olha
eu gostava
é que tu gostasses de mim
os livros não são feitos
de carne e osso
e quando tenho
vontade de chorar
abrir um livro
não me chega
preciso de um abraço
mas graças a Deus
o mundo não é um livro
e o acaso não existe
no entanto gosto muito
de livros
e acredito na Ressurreição
dos livros
e acredito que no Céu
haja bibliotecas
e se possa ler e escrever
Com o fogo não se brinca
Com o fogo não se brinca
porque o fogo queima
com o fogo que arde sem se ver
ainda se deve brincar menos
do que com o fogo com fumo
porque o fogo que arde sem se ver
é um fogo que queima
muito e como queima muito
custa mais a apagar
do que o fogo com fumo
Não gosto tanto
de livros
como Mallarmé
parece que gostava
eu não sou um livro
e quando me dizem
gosto muito dos seus livros
gostava de poder dizer
como o poeta Cesariny
olha
eu gostava
é que tu gostasses de mim
os livros não são feitos
de carne e osso
e quando tenho
vontade de chorar
abrir um livro
não me chega
preciso de um abraço
mas graças a Deus
o mundo não é um livro
e o acaso não existe
no entanto gosto muito
de livros
e acredito na Ressurreição
dos livros
e acredito que no Céu
haja bibliotecas
e se possa ler e escrever
Com o fogo não se brinca
Com o fogo não se brinca
porque o fogo queima
com o fogo que arde sem se ver
ainda se deve brincar menos
do que com o fogo com fumo
porque o fogo que arde sem se ver
é um fogo que queima
muito e como queima muito
custa mais a apagar
do que o fogo com fumo
segunda-feira, 30 de junho de 2014
quinta-feira, 26 de junho de 2014
Et voilá!
Andava há imenso tempo para escrever este post.Sobre uma cidade fabulosa, onde tenho tido a sorte de viver experiências muito divertidas e enriquecedoras.Porque vou para lá muitas vezes sozinha, consigo uma interioridade que me é impossível no frenesim de Lisboa.Porque às vezes vou acompanhada ou lá encontro verdadeiros amigos, divirto-me à grande.
Desde encontrar o Alexandre, a Madalena ,as Susanas, o Nuno, o Zé Manel, a Ana Luísa, a Corinne, o Ian, o Manel, o Augusto, a Tamar.. Laços e mais laços de amizade que se vão tecendo e que, de vez em quando, nos voltam à memória.
Desde encontrar o Alexandre, a Madalena ,as Susanas, o Nuno, o Zé Manel, a Ana Luísa, a Corinne, o Ian, o Manel, o Augusto, a Tamar.. Laços e mais laços de amizade que se vão tecendo e que, de vez em quando, nos voltam à memória.
quinta-feira, 13 de março de 2014
Hoje faz anos a nossa Miss!
Hoje faz anos a nossa Miss!Há já alguns dias que andava a pensar escrever alguma coisa sobre este dia.Ao escrever a frase «hoje faz anos a nossa Miss» vêm-me à cabeça imensas palavras que poderiam descrever a nossa amiga.
E uma delas é, sem dúvida,disponibilidade.A Miss é aquela pessoa a quem nós todos telefonamos, a toda a hora: «Miss, olá, olha tenho os miúdos com febre e dores musculares.Será meningite?»; «Miss, viva, olha, ando muita cansada, deve ser da anemia, passas-me umas análises?»; «Miss, que tal, olha, se não te importas, tenho a minha tia velhota internada no Hospital XPTO, achas que podes dar lá um salto?»; «Miss,tás bem? ouve, apanhei um escaldão enorme pá, tou que nem me consigo mexer,pá, achas que ponha qualquer coisa nas costas?», etc, etc, etc.
E a nossa amiga, a tudo responde, sempre com soluções na manga e com uma pachorra infinita.
Como haveria muito mais palavras para definir a Miss, vamos ver o nome da própria, que eu vou ter que desvendar:
AMÉLIA, que significa uma personalidade activa e decidida.É vê-la a fazer comida na Ceia de Santa Isabel, a pôr tabuleiros no forno, a dar ordens na cozinha com a amiga Quicas, a pôr tudo a funcionar.É vê-la quando vamos ao Hospital pôr tudo num rodopio, a perguntar por este e por aquele e «Ó Sra. enfermeira onde é que está isto e onde é que está aquilo?».
AMÉLIA quer igualmente dizer independência e dinamismo, pessoas empreendedoras e autoconfiantes.
Ou ainda isto, no caso concreto:
A-Amiga
M-Muita fixe
E-Estonteante
L-Linda de morrer e eternamente Miss
I-Inteligente pa caramba
A-Auto-impecável
Querida Miss
Tu és isto e muito mais. És ainda tudo aquilo que não sei dizer por palavras.
És uma grande alegria na vida de todos nós que contigo vivemos e convivemos.
Um dia feliz
E uma delas é, sem dúvida,disponibilidade.A Miss é aquela pessoa a quem nós todos telefonamos, a toda a hora: «Miss, olá, olha tenho os miúdos com febre e dores musculares.Será meningite?»; «Miss, viva, olha, ando muita cansada, deve ser da anemia, passas-me umas análises?»; «Miss, que tal, olha, se não te importas, tenho a minha tia velhota internada no Hospital XPTO, achas que podes dar lá um salto?»; «Miss,tás bem? ouve, apanhei um escaldão enorme pá, tou que nem me consigo mexer,pá, achas que ponha qualquer coisa nas costas?», etc, etc, etc.
E a nossa amiga, a tudo responde, sempre com soluções na manga e com uma pachorra infinita.
Como haveria muito mais palavras para definir a Miss, vamos ver o nome da própria, que eu vou ter que desvendar:
AMÉLIA, que significa uma personalidade activa e decidida.É vê-la a fazer comida na Ceia de Santa Isabel, a pôr tabuleiros no forno, a dar ordens na cozinha com a amiga Quicas, a pôr tudo a funcionar.É vê-la quando vamos ao Hospital pôr tudo num rodopio, a perguntar por este e por aquele e «Ó Sra. enfermeira onde é que está isto e onde é que está aquilo?».
AMÉLIA quer igualmente dizer independência e dinamismo, pessoas empreendedoras e autoconfiantes.
Ou ainda isto, no caso concreto:
A-Amiga
M-Muita fixe
E-Estonteante
L-Linda de morrer e eternamente Miss
I-Inteligente pa caramba
A-Auto-impecável
Querida Miss
Tu és isto e muito mais. És ainda tudo aquilo que não sei dizer por palavras.
És uma grande alegria na vida de todos nós que contigo vivemos e convivemos.
Um dia feliz
terça-feira, 4 de março de 2014
Casa Veva de Lima, uma casa para uma grande mulher!
No último sábado de fevereiro fomos, com o grupo da Boa Vizinhança de São Mamede, visitar a casa Veva de Lima, ali para os lados das Amoreiras, no início da Rua Silva Carvalho.
A visita foi guiada, como já seria de esperar, pelo Alfredo Magalhães Ramalho, grande conhecedor da história de toda a família Lima Mayer e Ulrich,o que a tornou além de muito interessante, divertidíssima.
Genoveva Lima Mayer (1886-1963)casou com Rui Ulrich em 1907 e arrendaram o palácio em 1920.Genoveva adoptou rapidamente o nome artístico de Veva de Lima, tendo começado a frequentar a vida intelectual da capital e a promover verdadeiras tertúlias na sua casa.
Era considerada uma mulher muito excêntrica para a época, com uma paixão enorme por cisnes e borboletas, como se pode verificar por toda a ornamentação da casa.O cisne seria a sua própria beleza, atitude charmossissíma e inegualável; a borboleta , o voo arriscado, até ao limite, até ao queimar as asas.
A entrada para o primeiro andar da casa que, embora a fotografia não mostre, está a precisar de obras de intervenção urgentes!
Os candeeiros de três das salas, todos muito originais.Diz-se que as coisas que tinha em casa, umas eram melhores que outras, já que Veva de Lima não se preocupava em distingir a qualidade daquilo que comprava.
O pormenor do boudoir de Veva de Lima
A visita foi guiada, como já seria de esperar, pelo Alfredo Magalhães Ramalho, grande conhecedor da história de toda a família Lima Mayer e Ulrich,o que a tornou além de muito interessante, divertidíssima.
Genoveva Lima Mayer (1886-1963)casou com Rui Ulrich em 1907 e arrendaram o palácio em 1920.Genoveva adoptou rapidamente o nome artístico de Veva de Lima, tendo começado a frequentar a vida intelectual da capital e a promover verdadeiras tertúlias na sua casa.
Era considerada uma mulher muito excêntrica para a época, com uma paixão enorme por cisnes e borboletas, como se pode verificar por toda a ornamentação da casa.O cisne seria a sua própria beleza, atitude charmossissíma e inegualável; a borboleta , o voo arriscado, até ao limite, até ao queimar as asas.
A entrada para o primeiro andar da casa que, embora a fotografia não mostre, está a precisar de obras de intervenção urgentes!
Os candeeiros de três das salas, todos muito originais.Diz-se que as coisas que tinha em casa, umas eram melhores que outras, já que Veva de Lima não se preocupava em distingir a qualidade daquilo que comprava.
O pormenor do boudoir de Veva de Lima
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