sábado, 23 de março de 2013

Porto, a cidade do eterno retorno



Fui ao Porto, esta semana, no que se pode considerar uma visita relâmpago.24 horas.
E foi tão bom! Apanhar uma simpática boleia à saída da Campanhã, permitiu ver a cidade com os olhos de quem vive no Porto, ainda por cima porque caía chuva de molhar parvos, o que faz com que os carros andem muito mais devagar.Foi uma delícia, até ao Museu Nacional Soares dos Reis.Onde entrámos e fomos recebidos com uma enorme simpatia.
E de repente, enquanto se falava de questões de trabalho, olhava-se para um lado e via-se um quadro do Silva Porto.Empurrados pelas obrigações lá continuávamos e o nosso olhar cruzava-se com um Marques de Oliveira. E com um Costa Lima.E com um Joaquim Ribeiro. E com um Malhoa.E com tantos outros.Eu ía-me espantando, maravilhando.E mais o Francisco Resende.E as esculturas do Soares dos Reis. E a magnífica intervenção que o Arquitecto Fernando Távora fez no espaço museológico.Imaginem que para irmos para o auditório temos, obrigatóriamente, que passar por estes estes pintores que referi.Ainda bem. É o verdadeiro conceito de cultura no museu.E, com muita pena minha, só vi um terço do museu.Vejam as fotografias que, tiradas por mim, valem o que valem.Quando forem à Invicta não deixem de ir ao Soares dos Reis.Aqui ficam alguns registos do Grupo do Leão.

Joaquim Ribeiro,«O Mártir Cristão»



Marques de Oliveira,«As costureiras»



Marques de Oliveira,«Silva Porto ao ar livre»



Silva Porto, «Rio Areinho»





domingo, 3 de fevereiro de 2013

Já se conhecem os finalistas do Prémio Mies van der Rohe de 2013

O Prémio de Arquitectura Contemporânea Mies van der Rohe 2013, financiados pelo Programa Cultura e pela Fundação Mies van der Rohe, já anunciou os cinco finalistas deste ano. Os projectos a galardoar são, como não podia deixar de ser, fabulosos. Ora vejam:
Metropol, Parasol, Sevilha imagem de David Franck
City Hall, Gand, Bélgica imagem de Petra Decouttere
Harpa, Reykjavik Concert an Conference Centre imagem de Nic Lehoux
Lar de Idosos, Alcácer do Sal, dos grandes arquitectos portugueses Aires Mateus,imagem de FG+SG
Superkilen, Copenhaga imagem de Superflex

domingo, 2 de dezembro de 2012

Soma e segue o cinema europeu...

Entretanto, o filme Amour do realizador austríaco Michael Haneke, que já tinha ganho a Palma de Ouro em Cannes e estado no Festival Internacional de Cinema de Nova Iorque sem passar, surpreendentemente, por Veneza, ganhou a 25ª edição dos Prémios de Cinema Europeu. Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva mostram-nos o envelhecimento do amor. De uma forma tocante.

Have you got a fever?

Já todos passámos por isto, verdade?

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Que limite para a dignidade humana?

Leiam este texto do Cardeal Odilo Scherer «Qual é o preço da dignidade humana?» «Eu teria preferido escrever sobre outro assunto nesta semana, mas o leilão da virgindade de uma jovem brasileira, amplamente divulgado pela imprensa, requer uma reflexão. É um facto chocante e, ao mesmo tempo, parece tão banal que, talvez, só chamou a atenção porque o leilão aconteceu de maneira aberta, pela internet, e porque o valor da licitação foi alto. (...) Afinal, o que está acontecendo? Pessoas colocam livremente a própria dignidade em leilão em troca de dinheiro? O facto foi acompanhado com curiosidade mórbida e até com claque, para ver até onde a oferta chegaria. Chocar, por quê? Nas calçadas de certas ruas da cidade e em tantas “casas do amor”, não acontece o mesmo todos os dias, sem que isso chame a atenção, ou cause consternação em ninguém? Há mesmo quem quer legalizar a prostituição, como se fosse uma profissão qualquer. Tudo se resolve no nível económico, também traficar pessoas, reduzi-las a escravas, vender bebés, comercializar órgãos humanos... E há quem compre ou venda votos nas eleições, comprando ou vendendo a própria dignidade; e também quem suborne a justiça, pondo em liquidação a própria consciência; há quem compre armas, use contra os outros, faça violência, mate, tudo pela vantagem económica. E há quem trafica drogas, lucrando com o comércio da morte; e quem, simplesmente, vai roubando o que é dos outros ou de todos: tudo pela vantagem económica que está em jogo... Grande novidade nisso tudo não há; coisas que sempre aconteceram. O novo é que, sem nos darmos conta, estamos a assimilar uma cultura do mercado, na qual o fator económico passou a ser o referencial maior: e uma cultura de valores éticos e morais, para uma cultura do valor económico; o bem maior parece ser a vantagem económica, que tudo permite e legítima, amolecendo qualquer resistência do senso moral. Tudo fica justificado se há vantagem económica. Onde vamos parar? Está mais do que na hora de colocar tudo isso em discussão novamente; será que essa tendência cultural vai levar a um aprimoramento das relações humanas? A uma dignidade maior no convívio social? A uma valorização real das pessoas, ao respeito pela justiça e a paz? Provavelmente não. Certamente não. O ser humano, avaliado sobretudo na ótica da razão económica, deixa de ser pessoa e torna-se objeto quantificável. Nisso também não há grande novidade; no passado houve a exploração dos escravos, dos operários, das mulheres. Mas, sob protesto. O preocupante, agora, é que essa maneira de ver e fazer, passe por aceitável e normal e a própria pessoa “objetivava”, outrora considerada vítima, agora seja vista como um sujeito autónomo e livre, que faz o que quer, também com a sua própria dignidade; e tudo vai bem assim... Voltaremos às feiras em que se vendem escravos? Livremente expostos à venda, aliás, ao leilão? O leilão da virgindade, por internet, é um facto que deve preocupar educadores, juristas, filósofos... Da curiosidade mórbida, é preciso passar à reflexão, talvez com um pouco mais de vergonha diante do que está acontecendo. Nossa dignidade comum está sendo leiloada! É deprimente!» Cardeal Odilo Pedro Scherer Arcebispo de São Paulo, Brasil 23.11.2012 In Conferência Nacional dos Bispos do Brasil